terça-feira, 28 de abril de 2009

AINDA TEMPLO



Ainda templo, mãe,
a quente alegria
desse ventre,
concha limpa,
branco tempo,
onde de rosas
teu odor foi canto
e meu sustento.

Tenho água na saudade
e só não grito
para não acordar
o teu sono repousado
nesse cais estrelado
em que te habito.

16 comentários:

Anónimo disse...

Estou entalada,Ibel.

Abraço-a comovida.

Alda

Delfim Peixoto disse...

Uma Ode às mães que o não foram, às que foram, às que virão a ser...
literalmente, Templo!
... e salpicos de mar, também!
bjnhs

Anónimo disse...

A senhora é uma mulher de sensibilidade excepcional, aliada a uma generosidade de carácter que raramente se encontam.Erradamente tinha uma opinião bastante diferente a seu respeito.Sinto queo que escreve é verdadeiro e a ternura e a exigência.
Grato por tudo isso.
Um pai.

Cristina Ribas disse...

Ibel,

Que linda homenagem à Mãe!
Que linda homenagem à vida!
Que belo sentir nos transmite!
Também talvez um grito de dor feito poema... que eu desejo que o cais estrelado possa trazer paz!

Um beijinho para si, Ibel!

Cris disse...

Que lindo minha flor!
Saudades...

isabel disse...

Será que nos pode mostrar uma foto da sua mãe? Escreve tantos poemas carinhosos sobre a mãe, que me deu uma vontade enorme de a conhecer.
bjinhos
Isabel

gracinda disse...

Correm lágrimas por tanta beleza...cada vez gosto mais dos teus pequenos grandes poemas...são de uma densidade incomensurável!É essa capacidade de em palavras simples e em poucos versos dizer tanto que diferencia os grandes poetas
Cinda

Vénus disse...

Parabéns,professora! A sua mãe mereceu sem dúvida a filha que tem.
Beijinho

AC disse...

Não sei que diga perante o límpido grito da saudade, do tempo inicial em que a ternura brotava, naturalmente...
Socorro-me, então, de Eugénio de Andrade:
"Tua mãe dava-te nomes pequenos, como se a maré os trouxesse com os caramujos. Ela queria chamar-te afluente-de-junho, púrpura-onde-a-noite-se-lava, branca-vertente-do-trigo, tudo isto apenas numa sílaba. Só ela sabia como se arranjava para o conseguir, meu baiozinho-de-prata-para-pôr-ao-peito. Assim te queria."

Obrigado, mais uma vez, pela partilha, pois também a dor pode suscitar momentos de rara beleza.

Clara Amorim disse...

Obrigada, Ibel, por nos abrir este seu Templo!!!

Mar de Bem disse...

Senhora eu não sou digna de entrar nesta morada, neste Templo sagrado, de incomensurável AMOR...
Detenho-me à entrada e a minha alma sorri. Apenas sorri, minha mana!

Que Deus te aconchegue!!!

utopia das palavras disse...

Puro! Eterno...será sempre esse amor!

E como tu o transmites...!

Um beijo

estrelinha disse...

Mãe, "templo" meu, chorei,
para além da profundidade do poema, porque a saudade (que sei naturalmente diferente da tua) também me assalta quando menos espero...

Beijo terno

antónio joão disse...

Que grande amor, que amor bonito.Mãe é mãe para sempre, não é?
Já agora, será abuso pedir que mostre uma fotografia da sua mãe, como sugeriu a Isabel?

Anónimo disse...

Não se consegue ler sem se sentir um nó na garganta e o humedecer dos olhos... As mães fazem sempre muita falta.

Beijinho

Francisca e Mafalda

Daniela disse...

Desculpe a "invasão"! Fez-me chorar comofilha e como mãe... já não sou nem uma nem outra coisa... e neste poema senti uma dor, uma alegria, um choro, um sorriso, um grito, uma saudade.... assim se faz Poesia, feminina, e se dá uma flor a quem sabemos ainda nos protege!
Obriada!
( Gosto muito do que escreve)
Bj doce