segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RENASCER



















Adoro bonecos antigos e o mistério insondável dos seus olhos. O tempo do encantamento permanece neles imutável, enchendo de tempo o tempo.Tive alguns e não sei como partiram. Foram os amigos de longos desabafos, nas horas das quimeras azuis. Falava com eles, como seres cuja alma efervesce. Subia-me um pudor tímido, quando alguém nos apanhava nas nossas intimidades inocentes. Os meus pais sorriam e sei que gostavam. Mas havia vergonha, mesmo assim. A minha mãe amolecia de água o seu olhar. E vinha sempre o grande abraço, reduto de aconchego, passaporte para a ternua. A minha irmã não tinha pachorra para aquilo. Preferia os cowboys.Tínhamos os sonhos trocados. Apenas isso.Não sei definir bem o motivo deste desabafo. Sei apenas que a menina de bibe, a belinha que fui, acordou, depois de ter recebido uma carta de boa hora. Fiquem tão felizes como eu, se puderem.



PS. Escrevi este texto no dia 9 de Setembro.