segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RENASCER



















Adoro bonecos antigos e o mistério insondável dos seus olhos. O tempo do encantamento permanece neles imutável, enchendo de tempo o tempo.Tive alguns e não sei como partiram. Foram os amigos de longos desabafos, nas horas das quimeras azuis. Falava com eles, como seres cuja alma efervesce. Subia-me um pudor tímido, quando alguém nos apanhava nas nossas intimidades inocentes. Os meus pais sorriam e sei que gostavam. Mas havia vergonha, mesmo assim. A minha mãe amolecia de água o seu olhar. E vinha sempre o grande abraço, reduto de aconchego, passaporte para a ternua. A minha irmã não tinha pachorra para aquilo. Preferia os cowboys.Tínhamos os sonhos trocados. Apenas isso.Não sei definir bem o motivo deste desabafo. Sei apenas que a menina de bibe, a belinha que fui, acordou, depois de ter recebido uma carta de boa hora. Fiquem tão felizes como eu, se puderem.



PS. Escrevi este texto no dia 9 de Setembro.

11 comentários:

AC disse...

Tenho-me interrogado frequentemente acerca do que se deveria a sua ausência. Mas agora não importa, já está outra vez entre nós. Que seja um renascer iluminado, Ibel!

Abraço

Anónimo disse...

FRUTOS E MAR

Parabens,

A sua prosa é adulta e simultaneamente criança.

Vc. tem uma relação com a escrita de pleno domínio e consegue dizer coisas que nos encantam.

A vida torna-se mais suave, lendo-a, porque vc é verdadeira e cumplice numa óptima relação que possui consigo própria.

Vir aqui é garantia de ler um bom texto ou um bom poema.

Fico a olhar, a olhar,a ler, a reler e digo cá para mim: esta paisagem é única.

Acho eu.

Cump.

JBS

Ibel disse...

AC

Estou viva! Gostei que voltasse.

JBS

Obrigada pelas palavras de apreço. Acho que o perdi de vista e que tem um blog.Vou ter de vasculhar melhor.

Abraço para ambos.

UmBrindeAosIdiotas disse...

Impossível nao gostar de um texto que fala sobre memórias passadas, que apesar de nunca as ter vivido, especificamente estas, me relembra a mim própria das minhas brincadeiras de criança, dos tempos em que tudo era fácil, agora mais do que nunca.


Um beijo da sua (nova) aluna (:
Daniela Peixoto

Ibel disse...

Olá Daniela!

Já espreitei o teu blog. Um título estranho, sem dúvida. Irónico? Julgo que sim. Depois falarei contigo na aula para te dar uns conselhos.
Beijinho

Anónimo disse...

Gosto da sua escrita e é com agrado que nunca deixo de a visitar.Andou afastada... ainda bem que regressou pelos melhores motivos.

Beijinhos

Laura

Anónimo disse...

Ibel, ainda bem que resolveu voltar ao seu blog. Já conhecia o texto, mas faz falta, aqui, a sua escrita, a sua poesia, as suas palavras. Em cada «local», os seus leitores...
Abraço da Sol

disse...

Quando o recordar é renascer faz bem à alma. Traz para o hoje outros tempos e outras vivências. Bonito texto.
Beijinhos
Caldeira

Mar de Bem disse...

E os bonecos enchiam os dias, Lia...

Convém voltar a tê-los...Fazem falta e fazem bem!!!

Beijos, mana.

E.A. disse...

Ibel,

Tenho o pressentimento de que passou por vales fundos de medo.
Sei que estou feliz porque venceu.

Um beijinho muito repenicado :)

teresamaremar disse...

Há nos olhos de vidro das antigas bonecas um reflexo de nós. Retomar esse olhar é um recuo ao outro que fomos e se esboroou na passagem do tempo.
Lendo-a, vem uma vontade de voltar, ainda que por breves instantes, ao tempo do encantamento puro, e nele adormecer.