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M.M. Deram o Nó a 12 de Julho

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12 -número com a simbologia da União : o um que se transforma em dois , de mãos dadas... Ana Isabel Fidalgo (estrelinha) Atrevo-me a conjugar contigo o verbo amar, Variações no mesmo tom o nosso amor! Talvez amor seja sempre o começar Talvez amar seja sempre o nosso ardor. Eu amo é plural numa só voz. Amamos é o singular de ti em mim. Amar é infinito aqui e lá Amar? O mar de nós, amor sem fim. Atrevo-me a dizer amor na madrugada Ao pé da luz o nosso amor se aconchegou Amar urge claro conjugar Amar de mim, amar de ti, amor bastou. Onda embarcada o nosso amor Na maré da paixão vale afogar Foguete vermelho o amor de nós Solfejo de sol o nosso olhar. Maria Isabel Fidalgo

Quadras ao acaso ( para a Marta, minha afilhada)

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Mente a boca quando mente A dizer que não que não Mas contente finalmente Com a batuta na mão. Ai rio lá dessas bandas Manda água com fartura Para lavar tuas margens Do lixo e da impostura. Eu vi galinhas pequenas Com asas de gavião Mas voavam rasterinhas Quase coladas ao chão. Ai Senhora d'Agonia Ajuda quem tu puderes E dá legumes aos homens Já que não dás às mulheres. Eu gosto de quem me gosta Destemida como sou E dou açoites e beijos Mas ninguém mos ensinou. Que bom é viver igual Ao que por dentro se sente A gente vê-se ao espelho E o espelho é que mente. Não me diga a boca não Aquilo que hei-de fazer Que a idade já pesa E não o quero dizer. Já se deitou meu amor Vou-me deitar ao seu lado Nos braços do meu amor É bom estar acordado.
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"MON PETIT COEUR" Um pedacinho do coração, Um pedacinho me basta, Para ser asa que passa Rente à àgua Que me lava Da lama da agonia, Ontem noite Hoje já dia, Meu coração moliceiro, Enamorado da ria.

FÉNIX RENASCIDA!

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Meu coração remoçou, Libelinha levezinha, Na praia da emoção Onde me sinto rainha. Viu renascer ressarcido, Qual Quixote dado às cinzas, Um cavaleiro gigante, Apedrejado e ferido. Ai, alma de cavaleiro, Cuja MUSA está na altura, Ergue-te, luz radiosa, Desse chão da sepultura. Levanta alta essa espada Excalibur da bravura, Que um coração alado Vê para além da lonjura. (Já te assustas, Sancho Pança Com os moinhos de vento De teu amo sonhador, Céu de sol, mesmo ao relento?) Ergue-te, botão de rosa, Raiada por teus espinhos, Porque na mora da noite Eles são os teus moinhos.

MAR DE MINHA MÃE

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Quero-me mar de minha mãe Musa de mim eterna e meu poema Solstício de fogo e combustão Ardente vulcão da minha pena. Nela semente despontei No verde arejar da Primavera E numa asa azul me elevei Tão leve, que me fiz de aguarela. Isto me dizia a minha mãe Com mimos de sorriso no olhar Meu refúgio de mel, ó minha estrela, Meu pão-do-céu de respirar! Ando ainda, às vezes, lá por cima Em nuvens enroladas de algodão E fica-me mais perto a minha mãe E fica-me adoçada a inspiração.

Meu Menino Pessoa

O Fancisco fez dezoito anos. A mãe andou a compilar textos do filho , desde que ele era pequenino. E textos das pessoas que "marcaram"o Francisco. Pediu-me se escrevia umas palavrinhas. Depois, os próprios amigos também me vieram pedir. Fi-lo com orgulho, por saber que não foi em vão um convívio de três anos, com este e com outros alunos. É bom saber que deixamos boas recordações. Há pouco mais de um mês,no DIA DA ESCOLA , o Francisco, o Bernardo, o Pedro, o Zé António dramatizaram Pessoa e os seus heterónimos , tendo também marcado presença a Ofélia, com a voz da Andreia numa" carta de amor ridícula". Foi um número bonito e sóbrio, que foi reproduzido numa tertúlia de sobremesa, confeccionada por mim e por eles, na Casa do Professor. O Francisco vestiu a pele de Fernando Pessoa, facto que inspirou o texto que lhe escrevi. Não se pense, no entanto, que eu distingo o Francisco dos outros alunos que eu adoro, mas realmente , tenho de confessá-lo, fiquei emocio...

O NOME DO PECADO

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É preciso recordar o medo E trazê-lo à luz da hipocrisia É preciso recordar o Holocausto Com olhos viúvos de alegria. É preciso chamar a humanidade Ao espelho da sua cobardia E recordar os corpos desnudados Magros de sonho e fantasia. É preciso recordar os rostos De quem não pediu para nascer E chorar com lágrimas de sangue As crianças que não chegaram a crescer. É preciso lavar o rosto até varrer A poeira libertada da amargura Dos que lixo foram antes de o ser Na cova da anónima sepultura.