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às vezes não sei ser  noite. um tempo desmedido consagra o escuro impossível não pensar no vácuo o outro lado do corpo a medir o nada inerte de solidão e silêncio sem que nada o segure ao sol num exílio cego .      

PORTUGAL

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Sempre o teu sangue me sacode, E cada sílaba do teu nome Me faz descer as lágrimas, Meu berço de três silabas, Debruado em ondas Dos confins do mundo. Ah, meu arrimo, Pau de canela, Fulgor d'epopeia, Sol em candeia, Na noite escura Quem te apagou? Camões soluça, Pessoa espera, Deus desespera, O povo é fome, E a Hora morre. Virá ou não Do Nevoeiro O Desejado, Ou outro mito Que tudo seja O que a fé almeja? Venha ou não Teu sangue me sacode E cada sílaba me comove Do teu nome, Alva flor de sal, Pátria, ninho, Portugal!
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morto o pinhal, morto o rei, mortas as naus, mortos os sonhos que plantámos noutros cais, mortas as aves na vertigem da altura, que sopro nos trará novos beirais ? ai flores, ai flores do verde pino, chorai, como as filhas do mondego, a morte escura. ide dizer ao rei que do milagre nem as rosas se salvaram da santa esposa, que Leiria é um cemitério, um deserto de cinzas, e que bicos ardidos não gorgeiam de azul na imensidão dos céus cinzentos ai meu Portugal , meu berço de três sílabas a murchar, que me dirás das quinas que encimaste em todo o Mar ?

AMOR SONHADO

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Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. Descia pelo eirado E chegava ao roseiral Onde vinhas trazer-me o sol Num livro de versos Ainda era dia e já tardavas (Que tarde de tarde tão tarde!) Descia pelo eirado E havia a vinha e o rosmaninho Na borda do portal E um banco de pedra. Era a hora das mãos E do sorriso inocente dos silêncios Num livro de versos Onde nos guardavas em segredo Enquanto as águas corriam. Descia pelo eirado E trazia o coração aos saltos Rente ao muro agitado Até que uma sombra escorregava Pelo calor do portal velho E tu aparecias com o teu olhar De veludo ou de cetim Com um livro de versos Onde nos beijávamos Com vogais abertas De olhos fechados. Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. E era tudo tão real Na leira desse passado Que ainda desço o eir...
Nao chora mais Inês nem geme Pedro a dor da perda que o perdeu d'amor. Junto a Inês repousa alva garça flor de neve concha arrancada suave pérola. Em Alcobaça o tempo passa solene e suave ténue e leve e passa o Mondego em degraus de água azul macia. Alto o céu guarda as almas luminosas do amor eterno. Celebram núpcias as lágrimas da quinta assim chamada em memória da dor. Mas é só ardor agora: Inês não chora Pedro não geme e AMOR não teme. maria isabel fidalgo- o oiro das manhãs

As mães

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as mães têm braços enormes. cantam de noite para aclarar os sonhos. às vezes não dormem e escutam vigilantes a respiração do silêncio nas noites solitárias. acalmam o escuro. quando partem ficam sempre à superfície das candeias brancas como lírios. rejuvenescem. regressam imaculadas e semeiam música. são jovens como a lua atenta ao corpo das raparigas. o resto está escondido no pó.

Não me perguntes do cansaço

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Sobre a noite ladra um cão. Estranho este ladrar a esta hora. Ladrilha o escuro, às quatro da noite ,um falar de cão altivo. É uma voz familiar que me acompanha com uma intimidade afirmativa. Ladra e ladra com estilhaços altos. Agrada-me. Sacode-me. Habita-me. Lembro-me destes sons , nas noites de luar na aldeia, e onde eles me levavam. Campos, bosques, montes, riachos e ribeirinhos eram todos meus, sem lei ou medo. E tudo de noite, quando já todos dormiam e eu dentro dos lençóis. Junto do meu quarto, a água da fonte, contava-me outras histórias. Benditas vozes da terra, sem idade e sem consciência, litanias segredadas nas minhas horas sem sono, portas entreabertas para altos voos. . Gosto Mostrar mais reações Comentar Partilhar 47 1 48 Carla Simões, Cristina Torrão e 46 ou...