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diz-me porque canto ao cair da tarde , ao cair do sol e mesmo a chover se o dia roda e eu sem te ver?
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O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
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  Lisboa, 10 de junho de 1579 [...] Obra em que a pena se alongou são dez cantos de idas e chegadas e os feitos gloriosos que cantou de guerras e terras conquistadas também deuses e deusas conquistou para o favor dos ventos e arribadas . São relatos de feitos importantes vencendo mares e mitos arrogantes Por esse obscuro e atro mundo para lá e para cá se foi andando num jeito todo seu de vagabundo fazendo o que fazia, não parando sulcando no escuro o mar profundo , enquanto escrevendo ia cantando os feitos do que fomos,  Lusa Gente , descritos com paixão e alma ardente [...]
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O sol e a lua Andam o sol e a lua cada um sempre na sua desce o sol, vai devagar entra a lua em seu lugar. No que vai, ouço o lamento na que vem, sinto o intento. E vejo uma troca de olhares em que o cravo diz à rosa: estás tão linda, gostosa! Ouve lá, ó mentirosa porque sais com esses ares onde vais tu tão airosa? Que tens tu a ver com isso? Deixa de ser metediço vou ali a ver o mar nele me fico mirando até me vejo bailar no meu luar baloiçando! Gosto do mar sereno no seu marulhar ameno enrolando a cor da espuma em ondas que, uma a uma, mansamente a deslizar, fazem o branco brilhar . Quanto brilho  nessas cores das muitas que o branco tem e quantos os seus sabores! É por ter mais que uma cor que o branco que as contém tem mais brilho e mais fulgor. E de mãos dadas, distantes cada um no seu brilhar  faça sol ou faça lua a cor  é sempre a do mar!
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Como é possível esquecer-te se me é possível lembrar-te se foste o afago e o mundo o rio a correr profundo na escarpa a despenhar-se? Como é possível à ave fugir no voo ao enlevo se o céu é o seu destino o azul lençol divino onde nem se atreve o medo? Como é possível esquecer-te se me é possível lembrar-te afagada em tuas mãos em pinheiros de verão que não ousam apagar-te? Como é possível esquecer-te se me é possível lembrar-te?
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Não venhas tão tarde à noitinha que tenho pressa de te ver chegar mas, se tardares, toca à campainha entra com passos de andorinha e diz-me que vens para ficar. Entra-me no sonho com leveza para que a alma fique aconchegada veste-me com mimos de princesa dá-me a tua mão sem estranheza e nem precisas, amor, de dizer nada.