Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. Descia pelo eirado E chegava ao roseiral Onde vinhas trazer-me o sol Num livro de versos Ainda era dia e já tardavas (Que tarde de tarde tão tarde!) Descia pelo eirado E havia a vinha e o rosmaninho Na borda do portal E um banco de pedra. Era a hora das mãos E do sorriso inocente dos silêncios Num livro de versos Onde nos guardavas em segredo Enquanto as águas corriam. Descia pelo eirado E trazia o coração aos saltos Rente ao muro agitado Até que uma sombra escorregava Pelo calor do portal velho E tu aparecias com o teu olhar De veludo ou de cetim Com um livro de versos Onde nos beijávamos Com vogais abertas De olhos fechados. Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. E era tudo tão real Na leira desse passado Que ainda desço o eir...
Mais um ano de vida sobre o meu corpo.Toda eu envelheci, ainda que o tempo tenha sido generoso comigo. Mas envelheci. E não é aquela velha história de que todos envelhecemos. Envelheci pela força de muitas histórias que a vida somou em cinco décadas e mais de meia. Envelheci nos ossos que começam a dar os primeiros sintomas de desgaste, na pele que começa a perder a rigidez, no rosto que acusa algumas rugas. Envelheci e já é irreversível este envelhecimento de comando ou descomando hormonal. Não posso fazer nada. Envelheci. Curiosamente, sinto não sei onde, ainda a acenar-me, uma alma de menina. Continuo a gostar de brincadeiras malucas , de sorrisos e de gargalhadas, de partidinhas, de surpresas, do sol infinito e das árvores altas( mesmo se as vejo de baixo), da areia do mar, das crianças( meu Deus, as crianças!!!) , do passado que guardo intacto no meu espaço mais íntimo. Vou acordar um ano mais velha.Cinquenta e oito folhas de uma árvore outonal que receia perder a seiva ou v...
Ah tragam-me um chá Um chá urgente de menta Ou pimenta preta Ou cidreira ou tília Um chá de sabor a terra De eucalípto ou oliveira Numa chávena de Abril. Ah, tragam-me um chá Com aroma a cravo Também pode ser Um chá em clave de Sol Ou em mi(m) maior Ah tragam-me um chá De todas as maneiras Com aroma verde Em vaso de esperança Também pode ser Tenho sede Ah tragam-me um chá De aroma de maçã Que o chá aquece A alma que fenece No frio deste Abril Em que um cravo canta Esganado na garganta.
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