Silêncio
Nada.
Nem das brumas
se ouve a voz
da alma dos avós
e na memória
D. Sebatião não veio
em tempo de nevoeiro.
Está vazia a era.
E de outrora haverá hora
um dia?
Não se cumpriu Portugal,
Pessoa,
e a alma não entorna
da exaltação tua.
Portugal jaz no seu silêncio
de campa fria
e das cinzas não há
sopro ou aragem
ou mesmo alento.
É muda a hora
luto o momento.
maria isabel fidalgo
AMOR SONHADO
Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. Descia pelo eirado E chegava ao roseiral Onde vinhas trazer-me o sol Num livro de versos Ainda era dia e já tardavas (Que tarde de tarde tão tarde!) Descia pelo eirado E havia a vinha e o rosmaninho Na borda do portal E um banco de pedra. Era a hora das mãos E do sorriso inocente dos silêncios Num livro de versos Onde nos guardavas em segredo Enquanto as águas corriam. Descia pelo eirado E trazia o coração aos saltos Rente ao muro agitado Até que uma sombra escorregava Pelo calor do portal velho E tu aparecias com o teu olhar De veludo ou de cetim Com um livro de versos Onde nos beijávamos Com vogais abertas De olhos fechados. Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. E era tudo tão real Na leira desse passado Que ainda desço o eir...
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