Prometo amar o sol todos os dias que me restam e iluminá-lo com as sílabas do teu nome. Prometo a voz vagarosa a repeti-las num pátio de ternura e a demorar-me na música como me demorei nos cabelos do mar. A vida é esta rosa apertada num muro e o eco do universo puro, insuspeito mesmo à chuva. Por isso dançarei onde te habito da primeira hora do dia até à última da noite. E dar-te-ei os rumores do pião de uma criança a navegar o início dos ventos. E ainda a voz que escutas sem cor palpável até ao que restar de vida. Que a palavra é a substância do tempo que regista o que a noite não deixa acabar.
O outono já lavou a cara alagou os olhos e a sua verve faz tremer os muros. Não há como fechar a porta ao assombro do mundo. Os rios vertem lágrimas para o mar a chuva desespera de aflição as armas mutilam sonhos duplicados a crianças quebradas nos tenros galhos. A cadência dos passos hesita entre a morte e o ódio freme o medo. Velho é o mundo e não sabes. Escrito em outubro de 2023, mas com alterações.

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