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Luz de março bate às vidraças a luz de março com que me abri à vida um corredor de marços de portas fechadas . traça a curva descendente do sol e apaga as mãos das nascentes onde os pássaros se banhavam nas fontes e alba me erguia eu velida e formosa esperando meu amigo que andava embarcado em ondas espessas sobre o meu porto fogo de água no esplendor do lume
os olhos da Leonor novelinhos de alegria eclipsam lua e sol faça noite ou faça dia. e quando a vejo sorrir inocente de se ser sinto-me nela a criança que eu sou sem o saber
Silêncio Nada. Nem das brumas se ouve a voz da alma dos avós e na memória D. Sebatião não veio em tempo de nevoeiro. Está vazia a era. E de outrora haverá hora um dia? Não se cumpriu Portugal, Pessoa, e a alma não entorna da exaltação tua. Portugal jaz no seu silêncio de campa fria e das cinzas não há sopro ou aragem ou mesmo alento. É muda a hora luto o momento. maria isabel fidalgo

Portugal

Desânimo Ando em busca dum verso bússola clara do poema palavra em flor da minha terra. Mas a terra é meu país e a sementeira fulva na poeira desgastada de alegre se fez triste na clara madrugada.

Cinco mortes me mataram

Cinco mortes me mataram Mesmo antes de morrer A morte de ter sonhado Um país branco e caiado Onde houvera de viver. ... As outras mortes não digo Que me matam se as disser Com facas de alguidar E bocas de maldizer. Cinco mortes me mataram Mesmo antes de morrer Chicotes de pau e aço Archotes pedras e charcos E armas de malquerer. maria isabel fidalgo, in «A maldição dos dias» tela de mircea suciu Cinco mortes me mataram Mesmo antes de morrer A morte de ter sonhado Um país branco e caiado Onde houvera de viver. ... As outras mortes não digo Que me matam se as disser Com facas de alguidar E bocas de maldizer. Cinco mortes me mataram Mesmo antes de morrer Chicotes de pau e aço Archotes pedras e charcos E armas de malquerer. maria isabel fidalgo, in «A maldição dos dias» tela de mircea suciu

Labirinto

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É tanta a minha saudade No labirinto de mim Que não sei essa que fui No canteiro do jardim. Passam as águas da vida ... No rio sempre a correr E metade são das lágrimas Que eu verto sem querer. Ai quem me dera no tempo Feliz de não me saber A mulher que hoje sou Num sol a esmorecer .

Solidão

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a solidão como ausência é uma ferida instalada. anda por dentro dos dias vagarosa. descai lentíssima para a música da sombra. Fotografia de Caravaggio- o grande representante italiano do estilo barroco