O BEIJINHO E A BUZINA
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Era um búzio pequenino
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era a sua companhia .
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Ia na mão de um menino
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se o levava, onde iria ?
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Levava-o para brincar
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era o que ele dizia .
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Punha-o na beira no mar
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esperando o que fazia
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Vinha a água de mansinho
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que logo o búzio molhava
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e o menino o secava
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sempre fazendo um miminho
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De tantos beijinhos levar
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ficou o búzio meiguinho ,
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passou-se então a chamar
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não búzio mas só beijinho
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Havia os búzios maiores
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que os adultos guardavam
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trazidos pelos pescadores
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nas redes que os emalhavam
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A esses chamavam buzina
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mostravam o ruido do mar
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sussurrando em surdina
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o vento no mar a soprar
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Se queriam saber do mar
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os búzios os informavam
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quando em casa os escutavam
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antes de ir marear
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Deixavam ouvir o mar
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quando postos no ouvido
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mostrando qual era o ruido
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da água em seu marulhar
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O marulhar sendo forte
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deixa prenúncio de morte
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e sendo sussurro ligeiro
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há de ser mar companheiro
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De búzios falam também
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poetas e pensadores ,
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mas os pobres pescadores
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só pensam nas águas que vêm
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Pescadores não são poetas
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alguns até o serão ,
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nem quererão ser profetas
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e nem sabem o que são
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raminhos de violetas !
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Buscam só seu ganha-pão .
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AMOR SONHADO
Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. Descia pelo eirado E chegava ao roseiral Onde vinhas trazer-me o sol Num livro de versos Ainda era dia e já tardavas (Que tarde de tarde tão tarde!) Descia pelo eirado E havia a vinha e o rosmaninho Na borda do portal E um banco de pedra. Era a hora das mãos E do sorriso inocente dos silêncios Num livro de versos Onde nos guardavas em segredo Enquanto as águas corriam. Descia pelo eirado E trazia o coração aos saltos Rente ao muro agitado Até que uma sombra escorregava Pelo calor do portal velho E tu aparecias com o teu olhar De veludo ou de cetim Com um livro de versos Onde nos beijávamos Com vogais abertas De olhos fechados. Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. E era tudo tão real Na leira desse passado Que ainda desço o eir...
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