Orfeu fala a Eurídice
Aproximo a minha mão da travesseira
para dela levantar a tua nuca
com meus olhos fito a tua boca
flor de botão em tentação.
Vermelho fica, pois, meu coração
cacho maduro de macia cerejeira.
Suave, o movimento do teu peito,
tépido, o ardor do teu arfar,
e teus lábios, carne viva de cereja,
são doçura e paixão do mesmo jeito.
Emerge, da tua fronte, o teu olhar
e serves-me o amor numa bandeja!
Descem à terra deuses de verdade
laborando o amor que não morreu
enrolado no tom verde da saudade
vestes de pária, de andarilho,veste de Orfeu ,
e o teu peito recolhido junto ao meu
é um mar imenso de paz e serenidade.
(No inferno te busco, sendo céu
nas labaredas ardemos tu e eu).
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O outono já lavou a cara alagou os olhos e a sua verve faz tremer os muros. Não há como fechar a porta ao assombro do mundo. Os rios vertem lágrimas para o mar a chuva desespera de aflição as armas mutilam sonhos duplicados a crianças quebradas nos tenros galhos. A cadência dos passos hesita entre a morte e o ódio freme o medo. Velho é o mundo e não sabes. Escrito em outubro de 2023, mas com alterações.
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