VARIAÇÕES DE AMOR

Homenagem a Luíz Vaz de Camões.
Amor é cor de flor que abre e não se vê
É onda do mar que afoga e não naufraga
É uma alva manhã que traz a noite
É agarrar o mundo e não ter nada.
É um não querer mais que bem sentir
É um foguete a estrilhaçar sem estridência
É um grito alarmante sem rugir
É um afago de dor sem clemência.
É um ser-se doido por vontade
É dar a quem não pede a própria vida
É ser algema nas mãos de quem nos ata.
Mas como evitar amor esta ferida
Que a morada da alma desacata
Se ela mesma é em si desprotegida?
Amor em rodopio
Amor é passarinho
Amor é foguetão
Amor é piriquito
Amor é combustão.
Amor é belisquinho
Amor é arranhão
Amor é pastelzinho
Amor é salpicão.
Amor é estrelinha
Amor é trovoada
Amor é pingo doce
Amor é feijoada.
Amor é baloicinho
Amor é escorregão
Amor é passarola
Amor é avião.
Amor é barraquinha
Amor é casarão
Amor é carnaval
Amor é oração.
Amor é brincadeira
Amor é trambulhão
Amor é beijoquinha
Amor é beliscão.
Amor é alegria
Amor é turbilhão
Amor é ciclone
Amor é agitação.
Amor é maravilha
Amor é infernal
Amor é carpideira
Amor é trambulhão
Amor é beijoquinha
Amor é beliscão.
Amor é alegria
Amor é turbilhão
Amor é ciclone
Amor é agitação.
Amor é maravilha
Amor é infernal
Amor é carpideira
Amor é festival.
Amor é faca afiada
Que corta a respiração :
Não tem tempo para vir
Não tem chave para entrar
Não tem porta para abrir
Nem tem hora de chegar.
Mas há um dia em que chega
E abre de par em par
As janelas de uma casa
Onde decide habitar.
Que corta a respiração :
Não tem tempo para vir
Não tem chave para entrar
Não tem porta para abrir
Nem tem hora de chegar.
Mas há um dia em que chega
E abre de par em par
As janelas de uma casa
Onde decide habitar.
Seja depressa esse amor
Que a vida pode esperar.
Comentários
Cada vez melhor!
joana
Parabéns pela sua sensibilidade e pela forma como trata os "nossos" meninos.
Gabriela
Obrigada pelo muito amor, porque eu sou desse "clube". E não quero outro.
Eu acho que sei quem és...
Beijinho
É sempre bom ter declações e, quando vêm dos alunos ,sabem a rebuçado. Eu gosto.
Beijos
Ainda bem que gostaste.Escolhe o que quiseres, que eu ofereço-to.
Ainda bem que gostaste.Escolhe o que quiseres, que eu ofereço-to.
Não me agradeça. Eu trato os "vossos" meninos como se fossem meus,porque sou mãe e porque os vejo um pouco como meus ,sobretudo agora que a idade começa a pesar.
Abraço.
Leia-se "como se fossem meus filhos".
Talvez seja melhor eu clarificar o português, não vá haver más interpretações.
Em primeiro lugar, não sei se o comentário é de um aluno, mas se o for,interprete-se esse gostar de declações de alunos, como uma forma terna,um agradecimento de mulher madura aos alunos que adora.
É que agora tudo vai servir para avaliar...
"Eu fui ver a minha amada
Lá p'rós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim
Eu fui ver o meu benzinho
Lá p'rós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal
Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir
Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelha
Para de mim se escantar
Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender
Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão
As andorinhas não param
Umas voltam outras não
Refrão:
Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou"
Zeca Afonso
Cantigas de Maio
(vale a pena ouvir a música original e a versão interpretada por Cristina Branco..)
Que belo acordar!Que lindo!
Eu fui lendo e cantando.
Beijinho.
«Seja depressa esse amor
Que a vida pode esperar»
Mas amor é também frequentemente grito de revolta, como este que no momento nos apetece gritar e anda em nós contido...
Beijo não contido mas repartido a nós que nos amamos!
Irmã Cinda
Tu sabes que me refugio neste meu mundo para poder aguentar e porque preciso de revisitar o meu passado, mas quando é preciso, o grito de revolta solta-se.
Tu também sabes isso.
Fiquei muito orgulhosa de ver o texto da "nossa" Marta no Tempo BREVE.
Beijo
Houve muita genta a lê-lo.
Que digo eu? É preciso publicar.
Também já estou a precisar dum pouco de poesia.
A luta cansa um bocado...
Um beijo grande