terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ok,fruto-seguro!..Fala a madrinha da Marta!

A Marta é morena e a madrinha desta graça sou eu. Leia-se graça como metáfora de cheia de graça quando ela passa, que o mesmo é dizer que a rapariga tem um rosto abençoado e uma boca bem humorada, sempre pronta a metralhar na hora certa sem falhar o alvo. E o sorriso:-)?
Insisto, portanto, na sua graça e, quanto a isso ,havia muito página a escrever, mas como dizem que lhe pus bem a mão por cima, não me fica bem enumerar outras graças suas, para calar as más línguas que dizem que gosto de me ver ao espelho. A Marta poderá confirmar tudo o que afirmo.É só telefonar-lhe. Vá telefone-lhe.
Faça-o já ,e ouvirá uma doce cantata, acompanhada ao piano com notas de mi e si, a aveludar ouvidos lenhosos. Já houve algum tempo de inflexões em dó, quando a alma da Marta tocou um nocturno de Chopin virado para a plateia que era ela própria .Então fechou o piano .Mas quando o abriu, as notas vieram mais firmes e mais depuradas.
A Marta também é gatinha de miau madriiiiiha e miau padriiinho e o meu paiziiiiinho e o luiiiiisinho e outros inhos e inhas acompanhados de beijinhos e abracinhos e uma baciazinha na voz e uma languidez no olhar, sempre balizado pela fina ironia de um arco-íris de variadíssimas gaças mesmo engraçadas.
Para avaliarem a graça desta prenda que me coube em pias de baptismo, quando era mais nova e eu lhe dava uma ajudita em questões de literatura, sempre que chegava a minha casa sem o trabalhinho feito, enroscava-se no meu pescoço com guloseimas de beijos e depois lá vinha o pianinho da voz e os mis e os sis, e miminho e mais miminho, até que: ó madrinha, tu não me vais ralhar, mas eu não pude fazer os deveres, porque...
Ponto. Eu bem me queria zangar, mas a gata da graça, vinha com aqueles olhinhos delambidos e com aquele jeitinho a derreter manteiga...
Um dia eu disse-lhe:"Marta é a última vez que te faço os trabalhos".Disse-o mesmo zangada.
Vai a gata e sai-se com este miau miau:"ó madrinha, eu bem tento, mas tu escreves tão bem e tão depressa que acho mesmo uma perda de tempo tentar fazer numa tarde o que tu fazes em cinco minutos. Diz lá, não é?
Garanto-vos que a Marta escrevia e interpretava muito bem. Só vos conto isso para que vejais o calibre da sua graça.
A Marta e a Ana são como irmãs e tratam-se por primas. Espero que nunca se esqueçam dos laços de ternura que as unem, os mesmos com que os pais delas e do irmão Luís atam os seus, desde os degraus da sua juventude e dos sonhos mais lindos. Sonhos com eles e por causa deles. E desejo que nos recordem em família, falando de nós e do tempo que foi e como foi. Isso é uma obrigação.E um sonho de idade madura.
Para ti, querida Marta, que essa graça te acompanhe com cabazes de felicidade e com doçuras e ombros de miguelices ao som do piano dos teus miaus de mi e si.
"E que seja eterno enquanto dure." Pela vida fora.