Meu tempo de bibe

Quando abro as janelas da memória
E deixo o pensamento libertar-se em mim
Ocorrem-me telas de sonhos dispersos
Com asas de aves e de querubins.
Voo nos baloiços puxados pelo vento
Adormeço, ouvindo, de mim a mãe, o canto
E por sonhar que sou pequenina
Torno-me princesa como por encanto.
Corro na praia, puxando um fio
Onde um papagaio no céu rodopia
Juntam-se ao meu, risos de crianças
E sobem no ar balões de alegria .
Vou para o colégio no meu bibe rosa
Bordado a branco, o nome Belinha
O meu pai prende numa mão a pasta
E segura na outra, a da formiguinha.
Mas, de repente, as janelas batem
E fervem na alma pesadelos loucos
O tédio e o cansaço vêm ter comigo
E mirram-me os sonhos aos poucos e poucos.
Já não sou a Branca que era de Neve,
Já não ouço, ao dormir, de minha mãe, o canto
O tédio e o cansaço vêm ter comigo
E, por isso sucumbe, o meu olhar em pranto.
Meu pai já passou a margem do rio
Entregue a um destino de todos incerto
O tédio e o cansaço vêm ter comigo,
É tédio e cansaço aquilo que aperto.
Ó Bela, Belinha, rosinha tão pura
Que é do teu bibe de branco bordado?
Ecoa um silêncio pesado e hostil
E o tédio e o cansaço sentam-se ao meu lado.
Comentários
Ó irmã vem aí o sol e o mar!...Essa luz , esse azul e essa paz vão-te acalmar
Beijinhos
Cinda