Não me perguntes do cansaço
Sobre a noite ladra um cão. Estranho este ladrar a esta hora. Ladrilha o escuro, às quatro da noite ,um falar de cão altivo. É uma voz familiar que me acompanha com uma intimidade afirmativa. Ladra e ladra com estilhaços altos. Agrada-me. Sacode-me. Habita-me.
Lembro-me destes sons , nas noites de luar na aldeia, e onde eles me levavam. Campos, bosques, montes, riachos e ribeirinhos eram todos meus, sem lei ou medo. E tudo de noite, quando já todos dormiam e eu dentro dos lençóis. Junto do meu quarto, a água da fonte, contava-me outras histórias. Benditas vozes da terra, sem idade e sem consciência, litanias segredadas nas minhas horas sem sono, portas entreabertas para altos voos.
Poema para minha mãe
Querida mãe
aí onde estás, não entre as renas,
mas vestida de rosas soalheiras...
espaço estelar onde o espírito cintila
nas palavras escritas que me ditas
faz-me ser, se possível for essa proeza,
ser eu, cada vez mais, a filha tua,
à altura da pessoa do teu nome
e no Amor lavado com que me vestias
no dia a dia que, por o ser,
era sempre Ano Novo.
Não deixes esmorecer a tua Bela
para ti, sempre vela natural,
e incendeia de chama, brasa,
luz de ti,
a braseira da minha alma de NATAL.
Querida mãe
aí onde estás, não entre as renas,
mas vestida de rosas soalheiras...
espaço estelar onde o espírito cintila
nas palavras escritas que me ditas
faz-me ser, se possível for essa proeza,
ser eu, cada vez mais, a filha tua,
à altura da pessoa do teu nome
e no Amor lavado com que me vestias
no dia a dia que, por o ser,
era sempre Ano Novo.
Não deixes esmorecer a tua Bela
para ti, sempre vela natural,
e incendeia de chama, brasa,
luz de ti,
a braseira da minha alma de NATAL.
" Antes de mim um verso" - Poética Edições-
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E então Deus disse ao seu discípulo: Tens sido um bom filho e um bom exemplo, para os outros, de caminho iluminado. Nestas " Circunstâncias", digo-te que prossigas confiante e que confies no verde do(s) Campo(s) e no azul do céu e do mar.
Isto dizendo, Deus calou-se , mas ficou atento.
Um grande abraço de parabéns!
Isto dizendo, Deus calou-se , mas ficou atento.
Um grande abraço de parabéns!
Maria Isabel Antunes da Silva Fidalgo
Data e local de nascimento- Braga, 18 de Março, 1951
Habilitações Académicas- Bacharel em Filologia Românica e Licenciada em Línguas e Literatura Modernas- Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ...
Profissão- Professora aposentada do ensino oficial, escola pública, mas a exercer funções de docência, em regime de part-time, no Colégio D. Diogo de Sousa- Braga.
Data e local de nascimento- Braga, 18 de Março, 1951
Habilitações Académicas- Bacharel em Filologia Românica e Licenciada em Línguas e Literatura Modernas- Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ...
Profissão- Professora aposentada do ensino oficial, escola pública, mas a exercer funções de docência, em regime de part-time, no Colégio D. Diogo de Sousa- Braga.
Outros cargos que exerceu ligados à docência:
Coordenadora do Ensino Propedêutico.
Delegada de Disciplina de Português
Orientadora de Estágio de Português, pela Universidade do Minho.
Coordenadora dos Diretores de Turma
Responsável pelo Jornal da Escola e colaboradora do mesmo, com publicações de caráter poético e de crítica literária.
Atividades extracurriculares: Animadora cultural: teatro, dança, canto, declamações.
Particular interesse pela poesia e pela crítica literária.
A sua grande paixão- Ballet clássico.
Participação em Tábula Rasa | Festival Literário de Fátima em Novembro de 2015.
Ver MaisCoordenadora do Ensino Propedêutico.
Delegada de Disciplina de Português
Orientadora de Estágio de Português, pela Universidade do Minho.
Coordenadora dos Diretores de Turma
Responsável pelo Jornal da Escola e colaboradora do mesmo, com publicações de caráter poético e de crítica literária.
Atividades extracurriculares: Animadora cultural: teatro, dança, canto, declamações.
Particular interesse pela poesia e pela crítica literária.
A sua grande paixão- Ballet clássico.
Participação em Tábula Rasa | Festival Literário de Fátima em Novembro de 2015.
Uma carta de Natal escrita à minha mãe, no primeiro ano de consoada, depois da sua travessia...
Querida Mãe Natal
Aí onde estás, não entre as renas,
Mas vestida... de estrelas soalheiras,
Espaço estelar onde o espírito cintila,
Nas palavras escritas que me ditas,
Faz-me ser, se possível for essa proeza,
Ser eu, cada vez mais, a filha tua,
À altura da pessoa do teu nome
E no Amor lavado com que me vestias
No dia a dia, que por o ser,
Era sempre Ano Novo.
Não deixes esmorecer a tua Bela
Para ti, sempre vela natural,
E incendeia de chama, brasa,
Luz de ti,
A braseira da minha alma de NATAL.
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Querida Mãe Natal
Aí onde estás, não entre as renas,
Mas vestida... de estrelas soalheiras,
Espaço estelar onde o espírito cintila,
Nas palavras escritas que me ditas,
Faz-me ser, se possível for essa proeza,
Ser eu, cada vez mais, a filha tua,
À altura da pessoa do teu nome
E no Amor lavado com que me vestias
No dia a dia, que por o ser,
Era sempre Ano Novo.
Não deixes esmorecer a tua Bela
Para ti, sempre vela natural,
E incendeia de chama, brasa,
Luz de ti,
A braseira da minha alma de NATAL.
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A minha neta acaba de receber mais um presépio. A oferta veio de uma pessoa que muito prezo e admiro. A lutar como uma loba pela vida, ainda tem a força de dizer, aproveitem cada minuto, lutem sempre para que a palavra pobre seja abolida, fui uma felizarda , não tenho o direito de me queixar.
As cinco chagas de Cristo
são as chagas a chorar
a morte que ronda Alepo
sem que a façam parar.
Cinco chagas são o símbolo...
das chagas que a dor consente
de matar mulheres e homens
e ceifar seiva inocente.
Cinco chagas são os homens
em lágrimas de fogo acesas
a gritar à humanidade
que basta de insanidade
de ódio e de crueldade
sobre chagas indefesas.
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são as chagas a chorar
a morte que ronda Alepo
sem que a façam parar.
Cinco chagas são o símbolo...
das chagas que a dor consente
de matar mulheres e homens
e ceifar seiva inocente.
Cinco chagas são os homens
em lágrimas de fogo acesas
a gritar à humanidade
que basta de insanidade
de ódio e de crueldade
sobre chagas indefesas.
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Natal menina
Era no tempo em que havia pai natal
que eu existia em limpo dia
tão leve como a noite que crescia...
no sapatinho inocente
no fogão do meu passado
na árvore com estrelinhas
e no pinheiro enfeitado
com lume do coração
e anjos quase reais
que comigo adormeciam
a sonhar com pais natais.
Era num tempo que já lá vai
com a toalha de linho
tão branca quase de neve
tão pura como o menino
que nas palhinhas deitado
dormia tão sossegado
no olhar de sua mãe
(como a minha, ela Maria!)
atenta e cheia de graça
adorando enternecida
a sua obra divina.
Era no tempo em que havia pai natal
que tudo em mim era inteiro
junto ao presépio encantado
em que eu era a Cinderela
com um sapato à espera
no fogão do meu passado.
Era no tempo em que havia pai natal
que eu existia em limpo dia
tão leve como a noite que crescia...
no sapatinho inocente
no fogão do meu passado
na árvore com estrelinhas
e no pinheiro enfeitado
com lume do coração
e anjos quase reais
que comigo adormeciam
a sonhar com pais natais.
Era num tempo que já lá vai
com a toalha de linho
tão branca quase de neve
tão pura como o menino
que nas palhinhas deitado
dormia tão sossegado
no olhar de sua mãe
(como a minha, ela Maria!)
atenta e cheia de graça
adorando enternecida
a sua obra divina.
Era no tempo em que havia pai natal
que tudo em mim era inteiro
junto ao presépio encantado
em que eu era a Cinderela
com um sapato à espera
no fogão do meu passado.
A todos, apesar do mundo, os meus votos de um Bom Natal
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Natal Menina
Era no tempo em que havia pai natal
que eu existia
puro dia...
tão leve
como a noite
que crescia
no sapatinho inocente
no fogão do meu passado
na árvore com estrelinhas
e nas luzes que piscavam
no pinheirinho enfeitado
com lume do coração
e anjos quase reais
que comigo adormeciam
a sonhar com pais natais.
Era no tempo dos meus pais
com a toalha de linho
tão branca quase de neve
tão pura como o menino
que nas palhinhas deitado
dormia tão sossegado
junto à vaca e ao burrinho
e no olhar de sua mãe
(como a minha ela Maria!)
atenta e cheia de graça
adorando enternecida
a sua obra divina.
Era no tempo em que havia pai natal
que tudo em mim era inteiro
junto ao presépio encantado
em que eu era a cinderela
com um sapato à espera
no fogão do meu passado.
maria isabel
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Era no tempo em que havia pai natal
que eu existia
puro dia...
tão leve
como a noite
que crescia
no sapatinho inocente
no fogão do meu passado
na árvore com estrelinhas
e nas luzes que piscavam
no pinheirinho enfeitado
com lume do coração
e anjos quase reais
que comigo adormeciam
a sonhar com pais natais.
Era no tempo dos meus pais
com a toalha de linho
tão branca quase de neve
tão pura como o menino
que nas palhinhas deitado
dormia tão sossegado
junto à vaca e ao burrinho
e no olhar de sua mãe
(como a minha ela Maria!)
atenta e cheia de graça
adorando enternecida
a sua obra divina.
Era no tempo em que havia pai natal
que tudo em mim era inteiro
junto ao presépio encantado
em que eu era a cinderela
com um sapato à espera
no fogão do meu passado.
maria isabel
É para Ti , talvez desperto
que escrevo sobre Alepo
vestida de cinza repetível
em dia de finados.
É para Ti, o meu carpir na noite...
e o aprumo dos meus olhos
no retábulo das lágrimas.
É para Ti ,nesta quadra santa
onde nasceste rei dos reis
feito menino
que te peço crianças
com fulgor de laranjas
num pomar de beijos.
É para Ti que peço ouvidos
para os gritos
e mãos de sol
em lençol de estio.
É para Ti, meu Deus ,
talvez desperto
que choro por Alepo.
Ver Mais
que escrevo sobre Alepo
vestida de cinza repetível
em dia de finados.
É para Ti, o meu carpir na noite...
e o aprumo dos meus olhos
no retábulo das lágrimas.
É para Ti ,nesta quadra santa
onde nasceste rei dos reis
feito menino
que te peço crianças
com fulgor de laranjas
num pomar de beijos.
É para Ti que peço ouvidos
para os gritos
e mãos de sol
em lençol de estio.
É para Ti, meu Deus ,
talvez desperto
que choro por Alepo.
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Neste recanto estão as fotos com a minha família. É com ela que vos desejo, se possível, um Natal tranquilo. O mesmo que quero para mim.
Entretanto, este ano, a minha neta já fala desenvolvidamente para quem convive com ela todos os dias
:* , a saber:
muca- música
lipo- livro
caco- casaco ...
pato- sapato e pato
meco- médico
acupela- água das pedras
balacha- bolacha
etc...
Entretanto, este ano, a minha neta já fala desenvolvidamente para quem convive com ela todos os dias

muca- música
lipo- livro
caco- casaco ...
pato- sapato e pato
meco- médico
acupela- água das pedras
balacha- bolacha
etc...
Ah, canta lindamente o é Natal, é Natal...
Um grande abraço natalício e até breve.
Ver MaisUm grande abraço natalício e até breve.
Antes de adormecer, mas já no ninho, vou lendo passagens destas "Circunstâncias." Medito e digo para mim, és muito pequenina, Maria Isabel. Escrito por um crente, Joao Aguiar Campos, que costuma dizer que " tem um inquilino indesejável", a dignidade e a força, com que encara a doença, a vida e o futuro, estão enraizadas na fé, e no amor com que abraça pessoas e espaços, em raízes de perenidade afetiva.
Um bom presente de Natal para quem quiser mais do que o material e rabanadas.
Foto de Avelino Oliveira da Costa
Um bom presente de Natal para quem quiser mais do que o material e rabanadas.
Foto de Avelino Oliveira da Costa
Fui jantar a Barcelos e acabo de chegar. Jantar na Bagoeira, como é costume, e depois, já no carro, disse ao meu marido: leva-me à casa dos meus pais. Levou-me e pedi-lhe que parasse. Saí do carro e olhei para a casa, de dentro para fora. Vi-me na janela do meu quarto e pensei que, se essa janela falasse, eu escreveria um belo romance.
A casa é, agora, um centro de estética. Os meus pais estão silenciosos, por mais que os chame. Tudo mudo. Mesmo assim, eu, e só eu, pude ouvi-los e vê-los. Olhei a rua e vi o que costumava ver da minha janela. A menina do retrato ainda me disse: Belinha, eras assim bonita, não eras?
A casa é, agora, um centro de estética. Os meus pais estão silenciosos, por mais que os chame. Tudo mudo. Mesmo assim, eu, e só eu, pude ouvi-los e vê-los. Olhei a rua e vi o que costumava ver da minha janela. A menina do retrato ainda me disse: Belinha, eras assim bonita, não eras?
Começo este ano a coleção de natais miniaturais para a minha neta. Já tinha comprado um, vieram mais dois.
Obrigada, Maria José Gomes.
Obrigada, Maria José Gomes.
São duas da manhã. Estou de férias e apetece-me não ter horas. Aposto que em Alepo estão todos acordados ou todos mortos ou a morrer de fome ou de medo. Talvez seja isso o pior. O medo! É como uma sanguessuga. Entorpece-nos. Gruda-se ao corpo, à alma - essa coisa impalpável- e paralisa-os. O medo é uma coisa medonha. Subtrai-nos o raciocínio, a lucidez, o sonho, o belo. Subtrai-nos à vida. E quando a vida se esvai no medo, já não o é. Quando o medo induz, por amor, os pais a matarem os filhos, para os subtraírem a mãos alheias e sangrentas, o mundo enlouqueceu sem remédio. Direi, servindo-me de palavras de António Mota "que este é o tempo em que o homem perdeu completamente a sua inocência. Não adianta mais esperar a esperança".
Em Lisboa, o Tejo continua a ver navios.
Foto retirada da net.
Em Lisboa, o Tejo continua a ver navios.
Foto retirada da net.
A Maria Isabel Fidalgo ofereceu-nos uma prenda em forma de conto. Porém,«Por pouco era Natal» é mais do que um conto. A sua relação com o futuro romance, que há de chegar, é a mesma de Civilização e Cidade e as Serras. Um esboço,portanto, já que aparecem nele duas linhas narrativas e indícios de outras ainda, a pedirem mais desenvolvimento e interligação, e uns resumos que seria interessante alargar. E este todo, que mal cabe na medida que lhe deram, vem embrulhado na inten...sa emotividade da narradora, na criatividade com que carateriza de um só traço a personagem masculina através do bizarro pedido na Brasileira, no engraçado e multissignificativo jogo de palavras à volta de Inês, a protagonista, que remete para outra Inês,escritora.Aliás, num «abuso » de colegas, Maria Isabel rouba-lhe o título de um romance para deixar na soleira da porta a dúvida, que deixou de ser dúvida logo a seguir. O título afinal aponta o destino das personagens: é Natal quando o homem quiser e a mulher concordar.
Maria Isabel, fico à espera do romance.
Como já pouco falta para ser Natal, desejo o maior, o melhor e o mais bonito para si e toda a sua família
Ver Mais
Maria Isabel, fico à espera do romance.
Como já pouco falta para ser Natal, desejo o maior, o melhor e o mais bonito para si e toda a sua família
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É natal no mistério do tempo
em que finitos somos
incertos no pão de cada dia
Vacilamos nas moedas
pisamos o amor como pedras...
enquanto o sonho é o dos poetas
em papel timbrado de angústias
Acendemos velas e pesamos
a fome milimetricamente
em candeias escuras
no mistério do tempo
em que infinitamente
sopramos sílabas vazias
dizendo natal deslumbrados.
em que finitos somos
incertos no pão de cada dia
Vacilamos nas moedas
pisamos o amor como pedras...
enquanto o sonho é o dos poetas
em papel timbrado de angústias
Acendemos velas e pesamos
a fome milimetricamente
em candeias escuras
no mistério do tempo
em que infinitamente
sopramos sílabas vazias
dizendo natal deslumbrados.
Não me perguntes do cansaço
nem deixes o céu por minha causa
mas se vieres traz-me a verdade inteira
e que os frutos cresçam e a terra arda
e a estrada seja de luz inicial
na limpidez da tua boca.
Não me perguntes das feridas
que a luz cura
se a concha é pura.
Traz-me labaredas
despe-me de cardos
debruça-te sobre a água
verás que ainda é tua
a semente que cresceu
sonhando a lua.
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