O SORRISO
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Deixa-me ver teu sorriso
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que nele me vejo também ,
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mesmo não sendo preciso
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saber tudo o que contem .
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sabendo que é nele que estás
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é nele que eu me verei
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e logo eu sentirei
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o que nele me dirás .
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Essa expressão facial
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que nós temos para exprimir !
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não sei de um outro animal
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que saiba rir ou sorrir .
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tudo podemos dizer
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num sorriso ou gargalhada
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numa forma de o fazer
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fica dito tudo e nada .
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Seja uma forma de apelo
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ou seja a alma a falar
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basta um sorriso singelo
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para a mensagem chegar !
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um sorriso desfiando
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a luz da alma se abrindo
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é como ave voando
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ou uma flor sorrindo
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Ou um coração sentindo
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se tímido se fez, calando ,
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ou um desejo pedindo
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ou um lamento deixando ,
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ou a risonha expressão
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de alegria ou surpresa
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ou só manifestação
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de satisfação ou tristeza
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E não há sorriso mudo
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ou sorriso carrancudo ,
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há só o sorriso amarelo
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com que se disfarça um riso .
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Mas nenhum deles é belo
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que, não mostrando afeição ,
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faltam pontas de emoção
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para que seja sorriso
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Sendo nuvem que está vindo
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mostrando-me um céu se abrindo
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meu olhar nunca se cansa !
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sorrisos, passos de dança
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onde o coração remansa !
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e seja rindo ou sorrindo
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há um que é sempre lindo
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um sorriso de criança!
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AMOR SONHADO
Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. Descia pelo eirado E chegava ao roseiral Onde vinhas trazer-me o sol Num livro de versos Ainda era dia e já tardavas (Que tarde de tarde tão tarde!) Descia pelo eirado E havia a vinha e o rosmaninho Na borda do portal E um banco de pedra. Era a hora das mãos E do sorriso inocente dos silêncios Num livro de versos Onde nos guardavas em segredo Enquanto as águas corriam. Descia pelo eirado E trazia o coração aos saltos Rente ao muro agitado Até que uma sombra escorregava Pelo calor do portal velho E tu aparecias com o teu olhar De veludo ou de cetim Com um livro de versos Onde nos beijávamos Com vogais abertas De olhos fechados. Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. E era tudo tão real Na leira desse passado Que ainda desço o eir...
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