SABER POPULAR
|
Há um saber popular
|
seja presente ou passado
|
em que se deve pensar
|
para um futuro avisado.
|
Já minha mãe me dizia
|
com toda a sabedoria :
|
quem faz a cama bem feita
|
muito bem nela se deita !
|
Também o povo nos deu
|
outra máxima perfeita :
|
que o que torto nasceu
|
tarde ou nunca se endireita
|
É melhor ser paciente
|
buscando a melhor receita
|
será da melhor semente
|
que vem a melhor colheita.
|
E agora vos digo eu
|
aproveitando o ditado
|
que quem da mãe se esqueceu
|
acabará condenado
|
AMOR SONHADO
Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. Descia pelo eirado E chegava ao roseiral Onde vinhas trazer-me o sol Num livro de versos Ainda era dia e já tardavas (Que tarde de tarde tão tarde!) Descia pelo eirado E havia a vinha e o rosmaninho Na borda do portal E um banco de pedra. Era a hora das mãos E do sorriso inocente dos silêncios Num livro de versos Onde nos guardavas em segredo Enquanto as águas corriam. Descia pelo eirado E trazia o coração aos saltos Rente ao muro agitado Até que uma sombra escorregava Pelo calor do portal velho E tu aparecias com o teu olhar De veludo ou de cetim Com um livro de versos Onde nos beijávamos Com vogais abertas De olhos fechados. Não sei se exististe Ou se te amei assim Mas sei que te sonhei Por todos os cantos Onde o meu amor podia Ser o deslumbramento de te ver. E era tudo tão real Na leira desse passado Que ainda desço o eir...
Comentários